Vai com Deus, amigo!
Éramos uns garotos que amávamos os Beatles e os Rollings Stones. E Pink Floyd, e Rush, e Led, e Purple, e Barão, e Titãs, e Legião, e Paralamas... enfim, amávamos tocar. E entre nós tinha um que tocava mais. Mais e melhor. Não, não era nenhum “front man”, um puzta cantor lindo-loiro-de-olhos-azuis, ou um guitarrista excepcional. Nossa estrela estava na cozinha. Era o moleque cabeludo quase escondido atrás de pratos, ferragens e tambores que chamava mais a atenção nos shows. O motivo era simples: tocava muito. Ao contrário da maioria das bandas citadas no começo, o fato de termos no grupo alguém que se destacava mais que os outros nunca foi motivo de briga. Aliás, acho que nunca brigamos ali dentro. Não a sério. Pelo contrário. A gente admirava o moleque cabeludo. A gente se impressionava com a pegada, a precisão. A gente tinha orgulho de ser da mesma banda dele. A gente adorava ver o público vibrar com sua performance. Acho que o cabeludo aguentou a nossa mediocridade por muit...